segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Férias forçadas


Estudantes no bairro de Gizé
Em setembro começa o ano letivo no Egito. Na capital Cairo, muitas crianças chegaram nas escolas, mas não conseguiram ir à aula. O motivo não é férias, e sim greve. Muitos professores da capital Cairo estão de braços cruzados pedindo melhoria no trabalho e no salário.

Não são apenas os professores que estão em greve. Outros profissionais devem ficar parados. Essa onda de greve começou após as manifestações de janeiro e fevereiro e devem permanecer pelo ano todo. O Egito está com uma economia fraca e os trabalhadores não estão ganhando nada bem.

sábado, 24 de setembro de 2011

Embaixada é cercada após protestos


Após o embaixador de Israel no Egito, Yitzhak Levanon, deixar o Cairo, não há mais manifestação em frente ao prédio. No lugar de um muro, que antes protegia os diplomatas, mais de 20 policiais fazem uma barreira humana e não deixam ninguém trafegar pelo local. Pela avenida onde ficava a estrutura é fácil observar sinais do protesto.
A embaixada israelense foi alvo de uma manifestação na madrugada do dia 10 de setembro. Uma multidão, munida de pedaços de madeira e ferro, ocupou a o local e queimou a bandeira de Israel. A ação foi uma represália por causa da morte de cinco policiais egípcios na fronteira com o País vizinho, próximo à Faixa de Gaza.
Após o protesto, o governo do Egito declarou estado de emergência e o embaixador de Israel teve que deixar o País. Segundo um guia local, a polícia e o exército dificultam a entrada de qualquer pessoa na embaixada. “Até turistas eles barram”, enfatiza.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Egito em segundos


Um Egito melhor

É difícil falar com egípcios, pois eles têm medo do governo militar. O comerciante *Sherie Mohamed, 29 anos, que trabalha em um hotel no Cairo, resolveu conversar por uns 15 minutos. Em troca, comprei umas lembranças para levar ao Brasil.

Com camisa 100% algodão e bem passada, o comerciante alega que vê no Egito grande possibilidade de crescimento, mas é preciso uma mudança ainda maior. Ele se refere ao fim do governo militar, que entrou no poder apenas para garantir uma eleição segura. Mas o militarem vêem com bons olhos a permanência do regime.

Longe de qualquer confusão, Sherie não garante que um novo governo possa mudar muitos anos de corrupção instalada no Egito. Mas acha que pelo menos as pessoas terão mais direito de falar o que quiserem. Se fosse aqui no Brasil, Sherie usaria o termo “ir e vir”.

Ele é mais positivo quando fala de seu País. Para o comerciante, o Egito é bom para se viver e chama a atenção do mundo todo. Não está errado, mas ele esquece da maioria da população que vive em situação precária.


*Nome fictício para preservar a identidade do comerciante, embora ele deixou ser fotografado.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O que aconteceu no Egito


Ex-presidente Hosni Mubarak - Foto: Folhapress

O Egito começou o ano de 2011 com um ar de revolução popular, que vinha do País vizinho Tunísia. Lá o presidente Zine El Abidine Ben Ali foi derrubado do poder após manifestações. Já em janeiro, o então presidente egípcio Hosni Mubarak, 82 anos, já sentia que o fim dos 30 anos de governo estariam perto do fim.

No final do primeiro mês do ano, mais precisamente no dia 25, milhares de pessoas se juntaram para protestar. A praça Tarhir, no coração do Cairo, foi o palco da revolução. Após 18 dias de violentos protestos, o número de mortos já estava estimado em 300. Foram pelo menos cinco mil feridos.

No dia 11 de fevereiro, o ex-presidente anuncia que iria deixar o cargo, para a festa de milhares de egípcios.

Não é apenas no Egito, Líbia e Tunísia que há revoltas. Outros países que querem mudar seu governo são Jordânia, Iêmen, Argélia, Mauritânia, Sudão e Omã.

Julgamento de Mubarak apenas em 28 de dezembro


Se depender da população egípcia, o ex-presidente Hosni Mubarak não precisa ficar preso, mas sim morto, como eu já havia dito aqui neste espaço. Mas novos confrontos devem acontecer se a Justiça do Egito continuar adiando o julgamento do ex-ditador. Agora, uma nova audiência está marcada para o dia 28 de dezembro.

Para os advogados de acusação, o juiz Ahmed Refaat pode estar favorecendo o ex-presidente. Segundo um jornal local, os advogados pediram ainda a substituição do juiz.

Hosni Mubarak é acusado de estar envolvido com a morte de dezenas de manifestantes e corrupção.  Atualmente ele está em um belo hospital mais distante do centro do Cairo.

Lixo nas ruas


Em uma rua do Cairo, três homens andam de motocicleta sem segurança

A cultura do Egito é bastante diferente a do Brasil em muitas situações. Uma, que todos conhecem, é a religião - apenas 10% de cristãos e 80% a 90% mulçumanos. Outra diferença que não estamos acostumados a ver numa cidade grande é o comércio na rua sem muita higiene. Pães são vendidos sem nenhuma proteção para evitar insetos, isso acontece com carnes e peixes.

No entanto, o que é mais visível é a limpeza das ruas. Quando o motorista contratado pela reportagem jogou uma latinha na rua, indaguei que isso poderia dar multa em alguns lugares do Brasil - esses tempos um joinvilense foi multado quando jogou uma bituca de cigarro no chão. Mas ele disse que lá pode. E dá para observar nas ruas isso. 

Abrindo cabra no meio da rua no centro do Cairo
Lotadas de lixo e areia, as vias do Cairo não têm sistema de limpeza ou coleta seletiva de lixo. Os lixões ficam no meio da cidade, mas não há aterro sanitário. Os resíduos são jogados e empilhados num canto, quando não são queimados nas rodovias durante à noite.

Sem gasolina no deserto


Ficar sem gasolina no meio de uma cidade grande é uma situação ruim para qualquer pessoa. Ainda mais quando não há um posto de gasolina perto. Imagina o combustível acabando no meio de um deserto? A situação aconteceu a caminho da Faixa de Gaza, um dos principais objetivos na ida até o Egito.

Atualmente apenas no Cairo existe gasolina em abundância, embora a província de Sinai seja rica em petróleo. Em quatro horas do Cairo até a fronteira com Gaza foi normal. O tanque cheio e o ar condicionado ligado para suportar os 40º graus do deserto. Mas na volta, já com o tanque quase na reserva, começou a peregrinação por um posto que ainda vendesse gasolina.

O problema é que o combustível não é mais de fácil acesso após a crise no País. Todos os postos da região de Sinai não vendiam mais gasolina. Em cada posto um frentista abanava a mão fazendo um sinal negativo.

Cada quilômetro com o painel do veículo apontando a reserva era nauseante, isso porque o ar condicionado também estava desligado para evitar mais gastos. Para piorar, a areia do deserto tem um cheiro forte, que incomoda quem não está acostumado.

Quando tudo parecia perdido e a ideia de dormir no meio do deserto já era clara e concretizada, um posto tinha 20 litros para oferecer por cliente. Uma fila enorme de veículos estava em nossa frente, mas tudo era festa. Eu não iria dormir no deserto.

Logo mais a frente, no Cairo já, outro posto tinha gasolina. Mais duas horas de viagem e chegamos no hotel. Era tudo o que eu queria depois da aventura.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Crise política e econômica




Basta poucas horas pelas ruas do Cairo e conversas com habitantes locais para observar o porquê do povo ir às ruas em janeiro e fevereiro manifestar. A capital egípcia tem muitos problemas de cidade grande - falta de saneamento, infraestrutura urbana e saúde pública -, mas a economia fraca é o principal motivo para deixar tantas pessoas na miséria.


Ao conversar com um guia local, que fez faculdade da língua espanhola por quatro anos e estudou mais dois para se tornar guia, ele diz que a única coisa que consegue fazer com o dinheiro que ganha é dar roupas e alimento aos dois filhos. Seu salário mensal é em torno de 600 libras egípcias - aproximadamente U$ 100. Ganha um pouco mais quando consegue algumas gorjetas.


Se fosse aqui no Brasil, uma pessoa depois de estudar seis anos ganharia R$ 600. Não digo que não possa haver no país casos assim, mas no Egito é muito comum. Ainda piora quando os turistas deixam de visitar o país, como está acontecendo em 2011.


Contrastando com isso, o ex-presidentedo Egito Hosni Mubarak, depois de 30 anos governando, tem uma fortuna estimada em 5 bilhões de dólares. Especula-se que esse valor pode chegar a 65 bilhões. Todo o dinheiro estaria investido em propriedades em Londres, Nova York e Paris. 


Homem vende cigarros entre carros

Como muitos egípcios, comerciante se aventura entre o tráfego intenso para vender seus produtos. Falta de dinheiro e a necessidade de sobreviver, leva a se arriscar diariamente e a enfrentar o sol forte de verão. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Queremos um País forte


Mulher caminha em frente a prédio incinerado em protesto
Os egípcios ainda têm medo de falar sobre a queda do presidente Hosni Mubarak, mesmo após sete meses do episódio. Um dos motivos é a lei de emergência, que muito tem assustado a população. 


As pessoas não arriscam discutir sobre política na rua. Mas dentro de residências, onde não há policiais, alguns egípcios mostram um Egito pós “ditadura”.


Sabry M. Armed, 28 anos, manifestou na praça Tarhir em janeiro e hoje diz estar feliz com as mudanças no País. Agora, espera ansioso pela votação em novembro para escolher um novo governante.
Entrevistei o egípcio para saber como um habitante daqui vê as mudanças depois da revolução que ainda está acontecendo, mas que não é mostrada para o mundo.
Novo Egito
Depois da queda do ex-presidente, militares estão nas ruas
Egito é um país seguro, depois de deixar a corrupção e castigar as pessoas más. A economia está aumentando muito, os salários só aumentam depois da revolução. O Egito é um país forte, rico por ter o Canal de Suez, petróleo, polícia e um exército bom que é capaz de nos proteger, proteger as fronteiras.
Democracia
Temos agora uma democracia, justiça social. Os serviços como educação e hospital são melhores que antes.
Agricultura
A agricultura depois da revolução aumentou muito porque o governo egípcio tem interesse na agricultura. Também a indústria  floresceu porque, depois de acabar com a corrupção, os projetos de investimento aumentaram.
Relação com países vizinhos
Nossas relações com países vizinhos são excelentes, como Israel e o povo palestino.
Novas leis
Agora todas as leis foram criadas por uma manifestação pacífica e protegem a gente e as eleições que serão em dois meses para eleger um presidente que governará quatro anos.
Presidente
Queremos eleger o presidente do país, que governará junto com o povo por quatro anos até outra eleição.
Palpite
Amr Moussa, chefe anterior, deve ganhar as eleições.

Trânsito do Cairo em segundos


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Mubarak morto

A imagem do ex-presidente Hosni Mubarak sendo julgado não agradou uma boa parte da população egípcia. Isso porque o ditador está em um hospital e não em uma cela.  Questionado o que achava de Mubarak, um egípcio foi além e disse que se o ex-presidente for condenado à prisão vai ter protestos. "Queremos que ele seja enforcado em praça", disse.

Famosos tecelões do Egito


Depois de muita andar sobre o deserto, uma parada nos famosos tecelões do Egito.

A arte de tecer também é milenar e uma das especialidades dos egípcios. Um tapete ou um pedaço de pano tornam-se verdadeiras raridades se feitos pelas mãos de um tecelão.

O valor varia muito. Os pequenos custam U$ 5. Mas podem chegar a U$ 2 mil. Dependendo do tamanho e das cores. Variedade para os olhos, para os gostos e para os bolsos.


domingo, 18 de setembro de 2011

Moradias populares


Moradias se concentram ao lado de rodovias: Foto: Jacson A.
De tijolos sem reboco e muito menos tinta, vivem milhares de pessoas que não têm dinheiro para adquirir uma casa minimamente confortável. Este é apenas um dos grandes contrates econômicos e sociais do Egito.

Enquanto o Centro é rodeado por estrutura esquecidas pelo governo, que acabam sendo tomadas por pessoas sem dinheiro, ao redor da capital observa-se conjuntos habitacionais precários.

E para onde vão os que tem dinheiro? Para longe. Os mais sortudos financeiramente deixam o Centro e a periferia da capital para seguir mais distante, usufruir de sossego e segurança para os habitantes e para o patrimônio. 

Símbolo da revolução

Antigo prédio do partido de Hosni Mubarak - Foto: Jacson Almeida

Depois de observarem de perto a queda do chefe de governo do País vizinho Tunísia, egípcios começaram um protesto que iria por várias semanas. Em 1º de fevereiro, cerca de 500 mil pessoas protestaram na praça Tarhir. Ou seja, a população de Joinville concentrada em um único local.

Hoje um símbolo dessa guerra ainda está no coração do Cairo, ao lado do famoso rio Nilo. É o prédio do partido de Mubarak. A estrutura de aproximadamente 13 andares está carbonizada por causa do incêndio provocado pelos manifestantes durante os protestos. Hoje o local está abandonado.


sábado, 17 de setembro de 2011

Turistas se afastam após revolução popular

Esfinge, local escolhido pelos turistas - Foto: Jacson Almeida
Após as constantes mobilizações no Egito, mais coisas mudaram do que a política. O setor mais afetado tem sido o turismo, principal fonte de renda do País. Os visitantes deixaram de visitar os lugares históricos com medo da revolta popular.

De acordo com um guia local Sabry, 28 anos, não há muitos turistas. Trabalhando em uma agência do Cairo, ele vê uma grande diferença na quantidade de visitantes se comparado ao ano passado.

Os números da Agência Central de Estatística do Egito não são nada animadores e reforçam as palavras de Sabry. Só no primeiro trimestre de 2011, em relação ao mesmo período de 2010, o turismo caiu 46%.

Conforme números da agência, apenas 1,9 milhão de turistas visitaram o Egito no primeiro trimestre desse ano. Um dos motivos das pessoas não escolherem mais o Egito como destino é o medo de ir para um País onde há muitos protestos. 

“Queremos uma economia forte”, diz egípcio


O papiro é um das formas de papel mais antiga do mundo. Mesmo com tantas outras opções hoje para comprar, o Egito continua fabricando o milenar papel.
Handy Ellamey, 30 anos, é dono de uma loja que vende papiro para o público local e visitantes. Assim como boa parte dos egípcios, ele está meio arisco para dar entrevista. Talvez seja o medo que impera em toda a população.

Fora dos holofotes da imprensa, Ellamey gosta de falar de política e, acima de tudo, de fazer política. Assim como milhares de pessoas, ele também foi para a Praça Tahir no começo do ano protestar contra o governo de Mubarak.

De acordo com ele, a batalha do povo egípcio ainda não terminou. O que eles querem é acabar com a odiada lei de emergência, que vigora no País desde a manifestação, em 10 de setembro, na embaixada de Israel, na capital.

Criada há mais de trinta anos, a lei, segundo moradores locais, dá ao governo o poder para colocar qualquer cidadão na prisão, inclusive manifestantes. Ellamey reforça que os egípcios apenas querem trocar de sistema. “Não queremos Mubarak, não queremos militares. Queremos uma economia forte e eleições”, diz

Experiência


Não é fácil para um repórter entrevistar um País que vive com medo. Mesmo depois de uma revolução popular, os egípcios não gostam de falar sobre política por causa do governo militar, que fica  no poder até a população escolher um presidente nas urnas. Mesmo um comerciante humilde, quando perguntei algo, disse que não iria complicar com os militares.

Já Ellamey ficou pelo menos 15 minutos olhando o que o repórter escreveu. Conforme ele, não é difícil a inteligência do governo achar a entrevista dele.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Embaixadores de Israel deixam Jordânia

Os repetidos movimentos do povo egípcio têm sido copiados pelos países vizinhos. O último deles, a expulsão do embaixador de Israel, veio a calhar para a popular de Amã, capital da Jordânia. O País também é contra a situação em que vive atualmente os palestinos. Com medo de protestos, Israel tirou os diplomatas da nação.

O jornal egípcio Haaretz repercutiu o caso e informou que o ato de deixar a Jordânia é normal, sempre feito às quintas-feiras. Seja por isso ou outro motivo, o fato é que ativistas da Jordânia já preparavam manifestações contra Israel e em favor de um Estado Palestino. Um dos objetivos era acabar com a diplomacia entre os países e anular o tratado de paz.

O comércio no Egito

Comerciantes ambulantes do Egito - Foto: Jacson A.
A imagem do comerciante do oriente médio chega a qualquer canto do mundo. O poder de negociação dos árabes, marroquinos e libaneses é inegável. No Egito, não é diferente.

Com os problemas econômicos dos últimos tempos, a disputada por um freguês está mais acirrada. E os comerciantes se tornam verdadeiros predadores.

A técnica dos vendedores é colocar o produto na mão do possível cliente e não pegar mais. Aí começa a pedir dinheiro. Se a pessoa não aceitar, inicia a negociação e o preço do produto cai até que o cliente aceite pagar.

Apenas a figura de um guia consegue espantar os comerciantes e fazer com que o visitante consiga passear com sossego sem ser agarrado a cada barraca diferente que passe.

Protesto acabou, mas a revolta continua


Praça Tahrir, local de protestos
Da cidade dos sonhos para se conhecer, o Cairo transformou-se na capital das revoluções que se abateram sobre a África neste ano. A capital passou por diversos embates, principalmente em janeiro e fevereiro deste ano. Mas a batalha não terminou até que se realize a primeira eleição dos últimos 40 anos.

Numa rápida olhada pela infraestrutura do local, é possível perceber nitidamente as marcas dos protestos. Nas ruas, muros estão destruídos e cartuchos de balas forram o chão. O exército truculento se encarrega da missão de assustar o povo para que a cena não volte a se repetir.

Enquanto isso, o ex-presidente Hosni Mubarak vive com luxo num hospital do Cairo, em regime de cárcere. Ele estava no comando desde 1981, mas foi expulso após diversos protestos protagonizados por crianças, adultos e idosos, sejam eles mulheres ou homens.

Hoje calado com medo do exército, o povo acredita ainda que haverá mudança após a esperada queda do ditador. Esta crença é levada a cada dia e, talvez, por isso ainda continuem os embates por aqui. Só a realização dum pleito colocaria fim no conflito.

O trânsito no Egito


Vivemos em Joinville num embate diário para a educação do trânsito para que motoristas, motociclistas e pedestres cumpram à risca as regras. Aqui pelo Egito o negócio não é bem assim.

Em vez da leis e das multas, o que basta é o bom senso, ou a falta dele às vezes. Sem nenhuma diretriz para direcionar o vai-e-vem de veículos, é no improviso que a coisa acontece.

É comum ver episódios com gente andando sem capacetes - raro é ver o contrário - e uns ultrapassando os outros apenas usando a buzina.
Para organizar o povo em cima do veículo, não há limites. Põe-se o quanto puder ou couber.

Nesta guerra diária do trânsito, o pedestre é que sai em desvantagem. Não há faixa de segurança e muito menos semáforo. O jeito para atravessar é partir numa rápida corrida, em que um bom reflexo é o mais importante.

Pior do que este caos no tráfego é perceber que não há acidentes. No tempo que fiquei por aqui não vi batidas, atropelamentos e outros problemas. Será que o mesmo aconteceria em outra cidade do Brasil com 18 milhões de habitantes e com severas leis de trânsito? Acredito que não.


Exército contrasta ruas do Cairo

O povo egípcio vive numa genuína história de ironias. Após passar 40 anos sem ter uma eleição, o povo revolta-se em pouco tempo e derruba o líder ditador Mubarak.

Para controlar os ânimos do povo, que comemorava a vitória, assume o poder o exército do País. E a cena volta a ser a mesma. Medo, falta de liberdade e a imposição de poder voltaram a uma nação que mal pode comemorar a vitória política popular.

Ao andar pelas ruas do Cairo é comum dar de cara com militares, armas e um ambiente constrangedor, seja para os moradores ou visitantes. Não é nada confortável ver tanques de guerra pronto para controlar a população em caso de mais manifestações.

Este é o ambiente que vi neste primeiro dia. Não estava preparado para isto. O meu trabalho não me preparou para algo como estou vendo agora. Muito menos a faculdade. 


Cairo

A chegada no aeroporto do Cairo, após 15 horas de voo entre Brasil e Egito, foi apenas por volta das 23h50 de quinta-feira, dia 15. Dois dias de viagem e consigo enfim chegar ao tão merecido hotel. O lugar de descanso fica nada menos do que cinco quilômetros da Praça Tahir, ponto de movimentos políticos importantes para o País. O local foi palco de protestos e embates que derrubaram o ditador Hosni Mubarak.

Neste primeiro dia da capital do Egito, com mais de 18 milhões de habitantes e lugares milenares para conhecer, a única coisa que quero é uma cama para descansar. Nada mais. Na sexta, sei que será um longo dia e com muita coisa para garimpar no pouco tempo que terei por aqui.

Nestes minutos que passei entre o aeroporto e o hotel, percebi o universo que há entre o Brasil e o Egito. Não falo de condições econômicas,e sim da cultura de povos totalmente diferentes.

Mesmo numa metrópole, me assustei ao ver um trânsito sem sinalização e mesmo assim as pessoas se entendendo. O tráfego nada mais é do que um amontoado de veículos um buzinando para o outro. E os motociclistas circulando sem nenhuma segurança e muito menos capacete.

No meio de tanta coisa, o deslumbre pelo tom marrom da cidade logo foi embora. A minha atenção foi roubada, nesta quinta-feira, pelo calor fumegante de 40 graus.