O papiro é um das formas de papel mais antiga do mundo. Mesmo com tantas outras opções hoje para comprar, o Egito continua fabricando o milenar papel.
Handy Ellamey, 30 anos, é dono de uma loja que vende papiro para o público local e visitantes. Assim como boa parte dos egípcios, ele está meio arisco para dar entrevista. Talvez seja o medo que impera em toda a população.
Fora dos holofotes da imprensa, Ellamey gosta de falar de política e, acima de tudo, de fazer política. Assim como milhares de pessoas, ele também foi para a Praça Tahir no começo do ano protestar contra o governo de Mubarak.
De acordo com ele, a batalha do povo egípcio ainda não terminou. O que eles querem é acabar com a odiada lei de emergência, que vigora no País desde a manifestação, em 10 de setembro, na embaixada de Israel, na capital.
Criada há mais de trinta anos, a lei, segundo moradores locais, dá ao governo o poder para colocar qualquer cidadão na prisão, inclusive manifestantes. Ellamey reforça que os egípcios apenas querem trocar de sistema. “Não queremos Mubarak, não queremos militares. Queremos uma economia forte e eleições”, diz
Experiência
Não é fácil para um repórter entrevistar um País que vive com medo. Mesmo depois de uma revolução popular, os egípcios não gostam de falar sobre política por causa do governo militar, que fica no poder até a população escolher um presidente nas urnas. Mesmo um comerciante humilde, quando perguntei algo, disse que não iria complicar com os militares.
Já Ellamey ficou pelo menos 15 minutos olhando o que o repórter escreveu. Conforme ele, não é difícil a inteligência do governo achar a entrevista dele.